9 de novembro de 2013

A arte de transbordar


Arte de  Kelly Reemtsen



        Sentou-se ao piano sabendo em detalhes como se sentia, e mesmo assim decidiu tocar a musica que fez pra exorcizar-se dos resquícios e marcas profundas causadas pelo ladrão que adentrou sua casa e roubou tudo que havia de mais importante. E não mais suportando a carga das toneladas de ressentimentos, soltou o peso das mãos no piano e saiu em disparada pra um lugar onde pudesse recuperar o fôlego perdido ao subir a nado desde as profundezas escuras ao topo... 
     Parou ofegante, ajoelhou-se tentando respirar e olhou para o céu que estava melancolicamente alaranjado procurando facilitar todo o processo. Mas era inútil. Então decidiu tirar um pouco do mar negro pelos olhos para facilitar o fluxo respiratório. Era inútil. Gotas de água límpida escorriam pelos olhos. O que fazer quando seus órgãos estão exaustos demais pra ajudar a sobreviver? 
       O amigo alto moreno e cheio de compaixão e amizade desmedida chega bem na hora em que seu corpo cai lentamente exausto na grama verde. 
         Exaustão. 
        Olhou pro lado e com esforço sobre-humano, com a mão em punho fechado, bate no peio e diz num fio de voz e demonstrando certo desespero: 
          __ Me sufoca. Estou sufocando. 
         E as gotas transformaram-se em riachos, e lagos, e os lagos em precipitações espasmódicas. 
         Soluços. 
         Entre soluços, pequenos gritos. 
       E o amigo deitado ao seu lado, segura sua mão. Às vezes ele ouvia-a dizer: “Por favor, não me mate lentamente. Por favor, não me asfixie. Não me prenda” 
     E no final, agora com o céu cheio de estrelas, em silencio, sente a brisa gelada e sua mente instintivamente começa a cantar... 

“It's too cold outside 
For angels to fly 
For angels to die” 

        Abre a boca pra respirar profundo e então um lamento... 

 “Ohh, Ohh, Oohh 
Ohh, Ohh, Oohh” 




8 de novembro de 2013

Visão do Paraíso


          Todas as sextas feiras faço um longo percurso até o CAP'S onde faço terapia. No caminho muitas vezes me deparo com situações sutis ou totalmente diferentes. Existe sempre um sistema de percurso já decorado pelo meu cérebro. O mesmo passeio nessa rua ou vou passar por esse lado pq sei que mais a frente vai ter alguma sombra. E na parte final existe um morro enorme pra subir e em seu topo fica um cemitério, o Cemitério Municipal. Apesar de ter sido muito medrosa na infância, hoje em dia não carrego receios relacionados a cemitérios e essas coisas. 
          Sempre gostei de observar o contraste dos túmulos que aparecem acima do muro com as flores de plástico colocadas no dia de finados do ano anterior e o céu azul, límpido e com algumas nuvens lá e cá. A subida era tortuosa, mas quando chego nesse ponto do trajeto me soa mais tortuoso o percurso exato da minha casa até o topo do morro. Como se a partir dali começasse a fluir a poesia. 
           
          Numa sexta feira dessas, ao chegar ao topo daquela subida tortuosa, o sol estava escaldante e como sempre olhei pra porta do cemitério esperando ver o comum, e através desse comum encontrar a poesia. Maior foi a minha surpresa ao ver, esperando pelo caminhão de lixo, um sofá velho, gasto com o assento virado para a descida do morro. E fazia tempo que eu não via tanta poesia. O contraste de cores, a situação em si. É estranho como tudo contribuía para uma plenitude nova. E fiquei feliz por estar no lugar certo, na hora certa. Esse tipo de coisa contribui muito pra minha visão sobre as coisas. 
           A poesia engrandece o coração e reflete amor aos olhos. 
           Meus olhos me disseram muita coisa hoje. 
          
        “O céu está todo nublado hoje, mas as flores e as formas dos túmulos estão destacando-se mais. As flores estão com cores tão fortes! Você percebe esses detalhes? 
         Depois da chuva o ar fica sempre mais limpo e olhe como aquelas montanhas ao fundo estão numa cor incrível! Um azul meio acinzentado, meio embaçado. Elas estão límpidas. 
           O verde claro do pasto está vivo e destaca-se com o verde escuro dos cafezais ao lado. 
          A criança loira com tranças e sorriso banguela mais a frente ri a risada mais gostosa. 
        E por causa da mesma chuva as flores que estavam abertas semana passada hoje estão fechadas e caídas, tombadas. Mas elas continuam vermelhas.”. 
           
          Minha boca sorri apesar do coração palpitante.





22 de outubro de 2013

De repente eu vi...


          Essa musica me parece muito "beijo no ombro."






Um beijo pra Dona KT que arrasa na musica! 

10 de outubro de 2013

Ressaca Provocativa






Sou nerd confessa. 
Mais a culpa não é minha. 
Juro. 
É da poesia. 
E da ressaca que ela me causa.

Lucila Neves


3 de setembro de 2013

Eu declaro, para fins terapêuticos....







       As vezes eu odeio os meus poemas. Não consigo nem pensar neles. E se me forçar a lê-los passo a repugná-los e sentir náuseas. Mais depois de longo período de abstinência, volto toda sem jeito, tímida até, com beicinho de emburrada, vencida e essa coisa toda, pronta pra olhar nos seus olhos e admitir. Sem ele eu não vivo, não respiro e sei lá mais o que. Pronto. Admiti. Agora abraça-me apaixonadamente e sela essa declaração com um beijo.





2 de setembro de 2013

Poema Musicado



Chama-me a conhecer-te.
Escuto-o respirar e imagino poemas.
Observa-me a olhar-te e descobre notas.

Toque em mim sua canção predileta
ó tocador de oboé!
Mostra-me sua covinha
ao sorrir sua risada amorosa.

Tatue em mim 
com seus dedos longos
as notas secretas de bem dizer.

Sorria no final da canção,
se despeça,
mas continue me amando.




1 de setembro de 2013

Segredo




A poesia é incomunicável. 
Fique quieto no seu canto. 
Não ame. 

Ouço dizer que há tiroteio 
ao alcance do nosso corpo. 
Ê a revolução? o amor? 
Não diga nada. 

Tudo é possível, 
só eu impossível. 
O mar transborda de peixes. 
Há homens que andam no mar 
como se andassem na rua. 
Não conte. 

Suponha que um anjo de fogo 
varresse a face da terra 
e os homens sacrificados pedissem perdão. 
Não peça.

Carlos Drummond de Andrade





12 de agosto de 2013

Toda Segunda pode ser perfeita!


"Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa."



 


"A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa."


Ótima semana a todos!


7 de agosto de 2013

Troco minha cara de pau pelo seu otimismo






      Depois de algumas conversas com alguns amigos meus, percebi a repetição, inconsciente ou não, de uma frase que usei - “Pense pelo lado positivo” - e cheguei à conclusão de que não me lembro de ser tão otimista assim. 
       Em meus momentos mais egóicos eu chegava a pensar “As pessoas existem no mundo pra fazer a vida das outras pessoas a sua volta um inferno” e hoje estou toda digna dando conselhos, acreditem, sobre otimismo. 
       Seria uma tática para fazer com que as pessoas sejam menos enervantes? Não sei. Eram meus amigos. Amigos não nos enervam, e se enervam, fazem com carinho e no final a gente apenas sorri. E o engraçado é que estando lá dois grandes pessimistas, um simplesmente injeta otimismo no outro. Agora me diz: onde é que existe abastecimento de otimismo que a gente não vê? 
       Se eu amiga de fulana(o) injeto otimismo em fulana(o), porque eu mesma não posso me alto medicar? É eu sei! Essa é uma daquelas perguntas retóricas que já vêm com a resposta. E perguntas retóricas nunca são tão retóricas assim. 


6 de agosto de 2013

Um pouco mais sobre Métrica...


       Hoje, quando fui responder os comentários  do blog, reli o texto e percebi que detalhes sobre Métrica mesmo eu não dei. Aí me lembrei que sofro da mesma mania que minha mãe: digo as coisas pela metade por achar que as pessoas tão pensando o mesmo que eu. #aloka #eusei  :p
       Aí resolvi fazer um post com mais dados do livro pra ninguém ficar no cri cri cri.



Livro: Métrica (Slammed)
Autora: Collen Hoover

Sinopse:



O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.
 

           A autora dedica o livro à banda The Avett Brothers "por me motivarem a 'decidir o que ser, e simplesmente sê-lo'." e também cita no início de cada capítulo um trecho de algumas músicas deles. 
       E pra vocês verem que eu sou um doce, segue abaixo a lista dos nomes das músicas que a autora cita no livro.



  1. Salina
  2. Gimmeakiss
  3. I Would be Sad
  4. I'll With Want
  5. Paranoia in B flat Major
  6. Living Of Love
  7. Tin Man
  8. The Perfect Space
  9. Slight Figure of Speech
  10. Die Die Die 
  11. Swept Away
  12. Paranoia in B-Flat Major
  13. All my Mistakes
  14. Then Thousand Words
  15. Once and Future Carpenter
  16. Complaint D'un Matelot Mourant
  17. Muder in the City
  18. Laundry Room
  19. Talk on Indolence
  20. If it's the beachs
  21. When i drink

       Para mais detalhes sobre a autora e o livro segue abaixo alguns links interessantes! :p ;)

Site
Good Reads
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Matéria de lançamento
BookTrailer



É isso pipól! Agora sim tá certo nean?
beijo doce

    5 de agosto de 2013

    Suerte



    "Só não entendia onde meu pai enxergava as garras retráteis de Logan.
    – E as garras das mãos, pai?
    – São as palavras, meu filho. Você se defende com a linguagem 
    ou se agarra nela para não morrer."

    Carpinejar 




           PARÁBOLA. Essa é única descrição plausível para esse livro. A parábola é conhecida por relatar fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com o objetivo de apresentar, ensinar uma verdade. Esse livro surge como explicação, orientação, comunicação entre eu e... eu mesma! É eu sei. 
         Minha amiga me indicou esse livro, disse que se tornou o segundo melhor livro que já leu na vida (e acredite, ela lê pra caramba) e que foi o que ela precisava ouvir. Eu gosto disso. Os livros se tornaram importantes pra mim quando percebi/senti que poderiam fazer diferença na minha vida, afagar meu coração, me direcionar e no final me fazer uma pessoa melhor. E acabou se tornando um vício. Palavras se tornaram meu radar.
          Métrica de Collen Hoover me foi apresentada e eu me exibi pra ele. Disse que já tinha lido muitos livros e que não me surpreenderia facilmente. Levei um tapa na cara. Fui desarmada. Mas assim é melhor, sem travas, nem empecilhos.
           Fui surpreendida pela sensibilidade, pureza e sinceridade. Pelo modo como a estória foi conduzida com naturalidade e por lidar com fatos vulgo escolhas que hoje em dia são considerados banais e ultrapassados, e também pelo modo como fala sobre a maneira que enfrentamos as realidades da vida. Mas acima de tudo me surpreendeu pelo modo como me achei em varias partes dele e também por encontrar poesia como modo de respiro, assim como é pra mim. E agora eu não preciso conter minha poesia.

         


           Não é pela letra. É pela melodia. O som do vento durante a construção do eu é sutil como a melodia do piano. O ritmo da musica é a força do ritmo com que se dança a poesia em minha respiração. A criança do vídeo batendo o ritmo no peito diz: “Venha e sinta!”
          O livro me despertou pra coragem de assumir que o que tenho por dentro é meu e não preciso fugir disso, de quem eu sou. Eu sou a poesia em pessoa e pronto.
           E entre as minhas turbulências Lake, Will, Kel, Caulder, Julia e Eddie me mostraram que humanizar meu olhar me faria melhor. E pronto. Mudei. Agora sou uma pessoa melhor. Agora quero limpar o tal canal manchado e ver humanizado. E talvez querer parar de desejar que o livro seja infinito e que eu continue o lendo pra sempre. 


    “Yo soy tu alma y tu mi suerte



    1 de agosto de 2013

    Descobertas Felizes!!!

            Algum tempo atrás, em uma das minhas visitas à biblioteca municipal decidi por pegar emprestado um livro com coletânea de vários escritores importantes como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, meu divo Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga. Dentre tantos textos maravilhosos, encontrei um muito divertido. Rubem Braga está na minha lista de felizes descobertas!!! =D


    Imagem do livro "Para Gostar de ler - volume 3 - Crônicas"

    Recenseamento

    Por Rubem Braga


           São Paulo vai se recensear. O governo quer saber quantas pessoas governa. A indagação atingirá a fauna e a flora domesticadas. Bois, mulheres e algodoeiros serão reduzidos a números e invertidos em estatísticas.
            O homem do censo entrará pelos bangalôs, pelas pensões, pelas casas de barro e de cimento armado, pelo sobradinho e pelo apartamento, pelo cortiço e pelo hotel, perguntando:
            – Quantos são aqui?
            Pergunta triste, de resto. Um homem dirá:
            – Aqui havia mulheres e criancinhas. Agora, felizmente, só há pulgas e ratos.
            E outro:
          – Amigo, tenho aqui esta mulher, este papagaio, esta sogra e algumas baratas. Tome nota de seus nomes, se quiser. Querendo levar todos, é favor.
    E outro:
            – Eu? Tinha um amigo e um cachorro. O amigo se foi, levando minhas gravatas e deixando a conta da lavadeira. O cachorro está aí, chama-se Lord, tem três anos e meio e morde como um funcionário público.
            E outro:
          – Oh! sede bem-vindo. Aqui somos eu e ela, só nós dois. Mas nós dois somos apenas um. Breve, seremos três. Oh! E outro:
           – Dois, cidadão, somos dois. Naturalmente o sr. não a vê. Mas ela está aqui, está, está! A sua saudade jamais sairá de meu quarto e de meu peito! E outro:
          – Aqui moro eu. Quer saber o meu nome? Procure uma senhorita loura que mora na terceira casa da segunda esquina, à direita. O meu nome está escrito na palma de sua mão. E outro:
          – Hoje não é possível, não há dinheiro nenhum. Volte amanhã. Hein? Ah, o sr. é do recenseamento? Uff! Quantos somos? Somos vinte, somos mil. Tenho oito filhos e cinco filhas. Total: quinze pestes. Mas todos os parentes de minha mulher se instalaram aqui. Meu nome? Ahn… João Lourenço, seu criado. Jesus Cristo João Lourenço. A minha idade? Oh! pergunte à minha filha, pergunte. É aquela jovem sirigaita que está dando murros naquele piano. Ontem quis ir não sei onde com um patife que ela chama de “meu pequeno”. Não deixei, está claro. Ela disse que eu sou da idade da pedra lascada. Escreva isso, cavalheiro, escreva. Nome: João Lourenço; profissão: idiota; idade: da pedra lascada. Está satisfeito? Não, não faça caretas, cavalheiro. Creia que eu o aprecio muito. O sr. pelo menos não é parente da mulher. Isso é uma grande qualidade, cavalheiro! É a virtude que eu mais admiro! O sr. é divino, cavalheiro, o sr. é meu amigo íntimo desde já, para a vida e para a morte!


    Espero que tenham gostado do texto como eu! 

    beijos da Luci!

    31 de julho de 2013

    Estranho Viver




    Arte do coração por Jon Marquette



     Na infinitude de minhas complexidades 
    me encapei de luto 
    menos o coração. 
    Esse está cheio de nuances e tons diversos
    para que sirva de esperança 
    e que me banhe de cores 
    e se transforme em luz 
    que brilhe fortemente no fim do túnel. 
    Movimento em luto. 
    Respiro em cor.


     

    13 de julho de 2013

    Drenagem






    Meus olhos estão pesados. 
    Ainda há muita dor travando a visão. 
    E existe muita dor de ocasiões que ainda virão 
    à procura do globo ocular torto pelo peso. 
    Fechar os olhos não resolve. 
    Os lábios percebem-se secos 
    porque toda umidade resolveu sair por um único canal 
    Canal manchado 
    (La Manche) 
    de vermelho e branco 
    castanho embaçado. 
    Sobe como vapor 
    E lateja minhas têmporas 
    E pesa os olhos 
    E pesa o coração 
    E cansa o sorriso falso. 


    5 de julho de 2013

    Dama Melancólica


    "Ela fica ali sentada 
    bebendo vinho 
    enquanto seu marido 
    está no trabalho. 
    ela considera 
    de suma importância
    que seus poemas 
    sejam publicados 
    nas pequenas 
    revistas. 
    possui dois 
    ou três de pequenos 
    volumes de sua poesia 
    mimeografados. 
    tem dois 
    ou três filhos 
    com idades que vão 
    de 6 a 15. 
    já não é mais 
    a linda mulher 
    que costumava ser. manda 
    fotos em que aparece 
    sentada sobre uma pedra 
    junto ao oceano 
    sozinha e condenada. 
    podia ter estado com ela uma vez. me pergunto 
    se ela acha que eu poderia salvá-la?" 

    Charles Bukowski


     

     


    10 de junho de 2013

    As paredes convexas do meu quarto (Ou Esquadro)


    "Pela janela do quarto
    Pela janela do carro
    Pela tela, pela janela
    Quem é ela? Quem é ela?
    Eu vejo tudo enquadrado
    Remoto controle..."




    Não me julgue por acordar em silêncio, sem alarde 
    e por me manter assim boa parte da manhã. 
    Eu preciso formar palavras, 
    resetar sentimentos antigos 
    construir novos. 
    O acordar feliz manda lembrança. 
    O passado parece seco e distante. 
    Um 'ter o meu espaço' 
     se revela, em meu quarto, 
     o tornar-se sem vida. 
    Eu o assassinei 
    e deixei junto ao corpo a prova do crime: 
    rancores 
    ódios mortais, 
    reflexos desconvexos 
    realidades cruas. 
    Agora revive como zumbi 
    com carne podre ao redor, 
    mofo e poeira 
    E ao tornar-se mausoléu, 
    ao adentrá-lo, 
    vivo de pesadelos 
    remorços que nunca foram meus 
    tristezas futuras. 
    Causou dependência. 
    Ele é meu vício.






    5 de junho de 2013

    Sigo caminhando



    Caminho

    Era um caminho que de tão velho, minha filha, 
    já nem mais sabia aonde ia... 
    Era um caminho 
    velhinho, 
    perdido... 
    Não havia traços 
    de passos no dia 
    em que por acaso o descobri: 
    pedras e urzes iam cobrindo tudo. 
    O caminho agonizava, morria 
    sozinho... 
    Eu vi... 
    Porque são os passos que fazem os caminhos!

    Mário Quintana








    29 de maio de 2013

    Não basta ser tia babona, tem que ser tia babona que incentiva a leitura


                           Só passando pra postar  um vídeo do meu sobrinho lindinho e amado Gustavo contando a estória do ratinho.  E é claro que eu babei litros!


     

                

    beijo na bochecha e ótimo feriado!



    19 de maio de 2013

    O Coronel






    Não me olhe assim seu dotô! 
    Eu não sei de nada dotô.
    Eu só fui na venda dotô 
    comprá umas uva dotô 
    Ela tava lá seu dotô 
    de conversa mole dotô 
    com o coronel sô dotô.
    Ele olhou pra ela dotô 
    Por tempo demais seu dotô 
    Aí eu vim embora dotô 
    Pra não ter mais prova dotô.



    :p

    ótima semana pra todas
    beijo da Luci

    15 de maio de 2013

    Ele (o Medo)





    Um risco obscuro transpassa a folha do caderno. 
    Lenine e Julieta fizeram musica 
    Drummond um poema 
    Sabino uma escada 
    Eu, uma cova. 
    Rápido. 
    Triste. 
    Ele vem, 
    se instala ao meu lado 
    e faz do meu dia a dia um eterno falecer.



    O sol e a peneira




    Venda-se os olhos
    assim como vende-se banana na feira.
    A voz gritante do mercador.
    A escuridão nos olhos da mulher vendada.
    Necessidade.
    Ela de não ver. 
    Ele de viver.


    6 de maio de 2013

    Corbeille para o francês


    "Os olhos tristes da fita/Rodando no gravador
    Uma moça cosendo roupa/Com a linha do Equador
    E a voz da Santa dizendo/O que é que eu tô fazendo
    Cá em cima desse andor."

    Beradêro/Chico César



    Fonte:  Invisible Girl Daily


    Presa estou
    no lixo que sou.


    Fonte: Zona do Zico

    Uma criança no meio do lixo 
    No ato de vasculhá-lo 
    é confundida pelo ser humano 
    que passa como que desapercebido 
    escondido dos holofotes 
    para que a crueza da realidade humana 
    não lhe doa a vista, a alma e o diabo a quatro. 


    Fonte: stoa.usp.br



     Eu sou o lixo que a criança vasculha .
    Quisera eu ser liberta 
    pelo ato singelo e faminto de uma criança!








    2 de maio de 2013

    Cansaço


    Fonte: CriticaConsciente .wordpress




    Sou um tanto hipócrita. 
    Me apeguei ao cansaço. 
    Minha alma que grita 
    no vazio do espaço 
    implora que o cansaço 
    do corpo que geme 
    engula o cansaço sem vida 
    da alma aflita.



    30 de abril de 2013

    Poema sem nome






    Enquanto ser ou não ser for a questão,
    o cupido erra seu coração
    o ciclista amigo lhe acena com a mão
    você atravessa a rua na contra mão
    depois perde a direção
    e volta a viver triste por tal falta de opção.




    16 de abril de 2013

    O dia em que minha máscara caiu






           Eu acho que nada na vida é por acaso. Desde muito nova sempre quis ter detalhes de tudo, do modo como são feitas as coisas, do modo como surgiu, em que meio surgiu. Com os sentimentos também sempre foi assim. Eu precisava ter detalhes do sentimento pra saber sentir, pra saber como era sentir, pra então talvez definir com minhas próprias palavras. Mania de escritora, fotógrafa na composição da foto. 
           Todo mundo dizia sobre fé. Eu não sabia o que era a fé, não na forma de sentimento, de definições miúdas. Eu precisava daquilo pra saber ter fé, não pelo o que os outros definem, mais pelo meu próprio modo. Assim como dizem que queimadura doe. Por mais que eu soubesse por outras pessoas que doía  e talvez, ou obviamente, pela lógica, eu precisava sentir pra saber sentir, definir, explicar. Então um dia eu quis saber o que era fé e não havia outra maneira de saber senão perguntar a quem era gabaritado pra isso. 
            Me dirigi ao meu pai. Cheguei e perguntei: 
           _ Pai, como se tem fé? 
           Ele ficou um pouco indignado.
           _ Minha filha, como assim? Ou se tem fé ou não se tem fé! E disse zombeteiro a minha irmã: Ela acabou de perguntar como é que se tem fé! 
           Fiquei constrangida. Então quer dizer que eu sou a única que não sabe o que é ter fé? E decepcionada. Achei que a resposta chegaria a mim da forma mais prática possível. Eu estava enganada. 
           Anos se passaram e já era hora de encarar a realidade. Eu precisava de ajuda. E foi difícil, mais minha amiga-barra-irmã-barra-prima-barra-psicóloga me deu um ultimato. Estava atrasada pra minha recuperação. Mais nunca é tarde demais. Comecei um tratamento psicológico depois de perder, em seu devido tempo, minhas duas pessoas mais especiais, sendo uma delas, meu papito, a 3 meses e meio antes da minha decisão. Ahh era dor demais! Até hoje eu tento entender como consegui suportar tanta dor. Não era mais eu, era uma estrutura desconhecida que me guiava de um lado pro outro. Talvez eu tenha experimentado o poder, o conforto, o aconchego de estar nos braços de Jesus, como diz a estória. Ainda não sei. Não gosto de definir, apenas de me sentir segura nos braços de quem me ama. 
           Alguns meses depois, depois de enfrentar algumas dores, de chorar como se não existisse mais nada no mundo, descobri que era adepta ao sofrimento. Eu queria muito ser feliz, mais como seria a minha vida sem sofrimento? Ela talvez não tivesse sentido e talvez eu não sobrevivesse. Eu precisava sofrer só mais um pouquinho, e mais um pouquinho, só mais um pouquinho... Mas eu vivia me contradizendo. Estava cansada de sofrer. Eu ainda queria ser feliz. Aí eu conheci um livro que me disse que o sofrimento faz crescer, que o sofrimento pode ser a porta pra se libertar de tudo o que eu sofria. E voilá era mesmo verdade. Então veio a constatação e o aprendizado. Se você trouxer a sua dor pra mais perto, deixar que ela se mostre, se você não impedir que ela venha, se você olhar pra ela e disser: “Ok! Você veio! Agora vamos ver o que eu faço com você!” ah, você vai descobrir do que é feito o seu coração. Isso me faz lembrar o dia em que minha pipoca não virou. Eu não sabia muito bem fazer pipoca. Poucas estouraram e no final ficaram somente os piruás. Meu pai então pegou a vasilha, colocou no pilão todos os piruás e começou a socar, mesmo com o sal que estava no fundo da vasilha. Quando terminou, pegou todo o pó, colocou noutra vasilha, colocou um pouco de açúcar e fez dos meus piruás a melhor paçoca que eu comi na minha vida. 
           Hoje me lembro disso e não consigo atribuir tal fato a não ser a minha experiência de fé. Chamei a dor, conversei com ela, deixei que ela falasse, que se mostrasse, e nesse relacionamento surgiu a minha fé, miúda, mas com certeza de raiz forte. Eu estava a partir disso descobrindo o que a 8 anos antes eu me questionava. Então o sofrimento se tornou incrivelmente doce. Meu inimigo de longa data agora se tornara meu amigo. E doía muito. Mais eu sorria. Eu tinha fé. Eu sentia fé. Eu sabia o que era sentir fé! 
           Há dois dias eu me perguntei: 
           __Então quer dizer que fé se constrói? Não vem pronta pra ser usada? 
          E eu simplesmente sorri. Como a indignação do meu pai foi propícia! Eu queria muito, muito mesmo que ele estivesse aqui pra que eu pudesse contar pessoalmente que eu descobri. Que a melhor coisa do mundo é descobrir e construir sua própria definição de fé. E senti-la.

    11 de abril de 2013

    Sorria







    Sorri quando a dor te torturar 
    E a saudade atormentar 
    Os teus dias tristonhos vazios 

    Sorri quando tudo terminar 
    Quando nada mais restar
    Do teu sonho encantador 

    Sorri quando o sol perder a luz 
    E sentires uma cruz 
    Nos teus ombros cansados doridos 
    Sorri vai mentindo a sua dor 
    E ao notar que tu sorris 
    Todo mundo irá supor 
    Que és feliz 

    Charles Chaplin 






    28 de março de 2013

    Um sonho debaixo d'água


           Oi gente! vim trazer meu presente de páscoa pra vocês! É um clipe que eu amo de uma cantora que com certeza moldou o meu gosto musical.
            Com vocês, Ana Carolina!



    beijos achocolatados!

    25 de março de 2013

    Mar







    "Na melancolia de teus olhos 
    Eu sinto a noite se inclinar 
    E ouço as cantigas antigas 
    Do mar. 

    Nos frios espaços de teus braços 
    Eu me perco em carícias de água 
    E durmo escutando em vão 
    O silêncio. 

     E anseio em teu misterioso seio 
    Na atonia das ondas redondas 
    Náufrago entregue ao fluxo forte 
    Da morte."

    Vinícius de Moraes


    20 de março de 2013

    Tag: Selo de Indicação

              A Fernanda do Algumas Observações e a Patricia do Only Myself me indicaram nos seus respectivos blogs para participar da Tag: Selo de Indicação.  Girls! Obrigada pela indicação! 


           As regras da brincadeira são: as blogueiras que receberem o selinho, terão que responder as perguntas feitas pela blogueira que indicou seu blog e listar 10 blogs para fazer o mesmo. Não pode ser blogs famosos com mais de 800 seguidores, pois o intuito do selinho é divulgar blogs. 

    1. Como escolheu o nome do seu blog? 

    O nome do blog , assim como o endereço, surgiu num momento de inspiração. Não foi premeditado. Surgiu e ficou. Depois fiquei pensando sobre o nome, pra saber se teria sentido e a partir disso o blog conseguiu ter um significado real e claro. E me tocou profundamente. Então no final achei o nome do blog e algumas respostas pessoais que havia tempo eu procurava. 

    2. Há quanto tempo tem seu blog?

    1 ano e 2 meses #meubb 

    3. Como você divulga seu blog? 

    O blog tem uma page no facebook e uma comunidade no Orkut. Divulgo também no meu perfil pessoal no face, Orkut e twitter, além de grupos sobre blog, literatura e cultura que participo no face e também o famoso boca-a-boca. ;) 

    4. Quais assuntos tem mais visualizações no seu blog? 

    O blog não tem um tipo específico de texto, então ficou difícil dizer ao certo. O post mais visualizado foi o  segundo

    5. O que motivou você a criar o blog?

    O blog surgiu de uma necessidade minha de fazer algo para melhorar o mundo, aproveitar minha estadia aqui na Terra, fazer, por fim, a minha parte e a partir disso surgiu o que eu disse na primeira resposta. 

    6. Onde você mora? 

    Moro em Cristais, sul de Minas Gerais. #uai 

    7. Quais seus objetivos com o blog? 

    Mostrar minha visão de mundo e o valor das coisas simples. 

    8. Quais blogs você visita frequentemente? 

    Com maior frequência Algumas Observações, Escritos Humanos da fofurite da Fernanda, Nosso Clube do Livro, Barquinho Cultural , Run Vayda Run, mais existem outros que eu entro e que não guardo os nomes #arelapsa 

    9. O que te inspira para criar os post? 

    As fofurices da vida, experiências e o doce sabor da cultura. 

    10. Qual sua idade? 

    A caminho dos 25 no final do mês. =D 

    11. Além do blog tem alguma outra ocupação? Se sim, quais? 

    Desde a criação do blog já tive vários empregos, mais sou muito azarada com trampo rs, mais a momis ficou dodói e por enquanto to cuidando dela. 

    12. O que mais gosta de fazer nos finais de semana? 

    além de dormir? #brinquei eu gosto de musica, ver filmes, ler, fazer algumas artes, construir algumas reticências com os meus sobrinhos! 

    13. Gosta de café? 

    Amo café! Sou acostumada desde pequena a tomar café e hoje não vivo sem ele!!! #muitoamor 

    14. Pretende fazer algo em 2013 para o blog? 

    Conseguir postar! #zoei . Na verdade tenho preparado e pensado em alguns posts pra breve. E espero que as idéias continuem!!! 

              E agora os blogs que eu indico e que fiz um favor pra mim salvando nos favoritos:

    1. Casa das Rosas
    2. Escritos Humanos
    3. Exceção à Regra
    4. Bsb Rox
    5. Lofansy
    6. Escrevendo e Semeando
    7. Teoria, Prática e Aprendizado
    8. JornaBest
    9. Walter Firmo
    10. Barbie Nerd 
            Essas são minhas indicações! Aos indicados fiquem a vontade para responder ou não.

           Mas antes de ir, queria agradecer a Priscila e o pessoal d'O Barquinho Cultural por divulgarem one more time  o Reticências lá  na Cabine Literária. Beijos  Pri! Brigada mais uma vez.

    Tks people. Isso é tudo! #fornow

    Beijos da Luci