30 de abril de 2013

Poema sem nome






Enquanto ser ou não ser for a questão,
o cupido erra seu coração
o ciclista amigo lhe acena com a mão
você atravessa a rua na contra mão
depois perde a direção
e volta a viver triste por tal falta de opção.




16 de abril de 2013

O dia em que minha máscara caiu






       Eu acho que nada na vida é por acaso. Desde muito nova sempre quis ter detalhes de tudo, do modo como são feitas as coisas, do modo como surgiu, em que meio surgiu. Com os sentimentos também sempre foi assim. Eu precisava ter detalhes do sentimento pra saber sentir, pra saber como era sentir, pra então talvez definir com minhas próprias palavras. Mania de escritora, fotógrafa na composição da foto. 
       Todo mundo dizia sobre fé. Eu não sabia o que era a fé, não na forma de sentimento, de definições miúdas. Eu precisava daquilo pra saber ter fé, não pelo o que os outros definem, mais pelo meu próprio modo. Assim como dizem que queimadura doe. Por mais que eu soubesse por outras pessoas que doía  e talvez, ou obviamente, pela lógica, eu precisava sentir pra saber sentir, definir, explicar. Então um dia eu quis saber o que era fé e não havia outra maneira de saber senão perguntar a quem era gabaritado pra isso. 
        Me dirigi ao meu pai. Cheguei e perguntei: 
       _ Pai, como se tem fé? 
       Ele ficou um pouco indignado.
       _ Minha filha, como assim? Ou se tem fé ou não se tem fé! E disse zombeteiro a minha irmã: Ela acabou de perguntar como é que se tem fé! 
       Fiquei constrangida. Então quer dizer que eu sou a única que não sabe o que é ter fé? E decepcionada. Achei que a resposta chegaria a mim da forma mais prática possível. Eu estava enganada. 
       Anos se passaram e já era hora de encarar a realidade. Eu precisava de ajuda. E foi difícil, mais minha amiga-barra-irmã-barra-prima-barra-psicóloga me deu um ultimato. Estava atrasada pra minha recuperação. Mais nunca é tarde demais. Comecei um tratamento psicológico depois de perder, em seu devido tempo, minhas duas pessoas mais especiais, sendo uma delas, meu papito, a 3 meses e meio antes da minha decisão. Ahh era dor demais! Até hoje eu tento entender como consegui suportar tanta dor. Não era mais eu, era uma estrutura desconhecida que me guiava de um lado pro outro. Talvez eu tenha experimentado o poder, o conforto, o aconchego de estar nos braços de Jesus, como diz a estória. Ainda não sei. Não gosto de definir, apenas de me sentir segura nos braços de quem me ama. 
       Alguns meses depois, depois de enfrentar algumas dores, de chorar como se não existisse mais nada no mundo, descobri que era adepta ao sofrimento. Eu queria muito ser feliz, mais como seria a minha vida sem sofrimento? Ela talvez não tivesse sentido e talvez eu não sobrevivesse. Eu precisava sofrer só mais um pouquinho, e mais um pouquinho, só mais um pouquinho... Mas eu vivia me contradizendo. Estava cansada de sofrer. Eu ainda queria ser feliz. Aí eu conheci um livro que me disse que o sofrimento faz crescer, que o sofrimento pode ser a porta pra se libertar de tudo o que eu sofria. E voilá era mesmo verdade. Então veio a constatação e o aprendizado. Se você trouxer a sua dor pra mais perto, deixar que ela se mostre, se você não impedir que ela venha, se você olhar pra ela e disser: “Ok! Você veio! Agora vamos ver o que eu faço com você!” ah, você vai descobrir do que é feito o seu coração. Isso me faz lembrar o dia em que minha pipoca não virou. Eu não sabia muito bem fazer pipoca. Poucas estouraram e no final ficaram somente os piruás. Meu pai então pegou a vasilha, colocou no pilão todos os piruás e começou a socar, mesmo com o sal que estava no fundo da vasilha. Quando terminou, pegou todo o pó, colocou noutra vasilha, colocou um pouco de açúcar e fez dos meus piruás a melhor paçoca que eu comi na minha vida. 
       Hoje me lembro disso e não consigo atribuir tal fato a não ser a minha experiência de fé. Chamei a dor, conversei com ela, deixei que ela falasse, que se mostrasse, e nesse relacionamento surgiu a minha fé, miúda, mas com certeza de raiz forte. Eu estava a partir disso descobrindo o que a 8 anos antes eu me questionava. Então o sofrimento se tornou incrivelmente doce. Meu inimigo de longa data agora se tornara meu amigo. E doía muito. Mais eu sorria. Eu tinha fé. Eu sentia fé. Eu sabia o que era sentir fé! 
       Há dois dias eu me perguntei: 
       __Então quer dizer que fé se constrói? Não vem pronta pra ser usada? 
      E eu simplesmente sorri. Como a indignação do meu pai foi propícia! Eu queria muito, muito mesmo que ele estivesse aqui pra que eu pudesse contar pessoalmente que eu descobri. Que a melhor coisa do mundo é descobrir e construir sua própria definição de fé. E senti-la.

11 de abril de 2013

Sorria







Sorri quando a dor te torturar 
E a saudade atormentar 
Os teus dias tristonhos vazios 

Sorri quando tudo terminar 
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador 

Sorri quando o sol perder a luz 
E sentires uma cruz 
Nos teus ombros cansados doridos 
Sorri vai mentindo a sua dor 
E ao notar que tu sorris 
Todo mundo irá supor 
Que és feliz 

Charles Chaplin