10 de junho de 2013

As paredes convexas do meu quarto (Ou Esquadro)


"Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle..."




Não me julgue por acordar em silêncio, sem alarde 
e por me manter assim boa parte da manhã. 
Eu preciso formar palavras, 
resetar sentimentos antigos 
construir novos. 
O acordar feliz manda lembrança. 
O passado parece seco e distante. 
Um 'ter o meu espaço' 
 se revela, em meu quarto, 
 o tornar-se sem vida. 
Eu o assassinei 
e deixei junto ao corpo a prova do crime: 
rancores 
ódios mortais, 
reflexos desconvexos 
realidades cruas. 
Agora revive como zumbi 
com carne podre ao redor, 
mofo e poeira 
E ao tornar-se mausoléu, 
ao adentrá-lo, 
vivo de pesadelos 
remorços que nunca foram meus 
tristezas futuras. 
Causou dependência. 
Ele é meu vício.






5 de junho de 2013

Sigo caminhando



Caminho

Era um caminho que de tão velho, minha filha, 
já nem mais sabia aonde ia... 
Era um caminho 
velhinho, 
perdido... 
Não havia traços 
de passos no dia 
em que por acaso o descobri: 
pedras e urzes iam cobrindo tudo. 
O caminho agonizava, morria 
sozinho... 
Eu vi... 
Porque são os passos que fazem os caminhos!

Mário Quintana