3 de setembro de 2013

Eu declaro, para fins terapêuticos....







       As vezes eu odeio os meus poemas. Não consigo nem pensar neles. E se me forçar a lê-los passo a repugná-los e sentir náuseas. Mais depois de longo período de abstinência, volto toda sem jeito, tímida até, com beicinho de emburrada, vencida e essa coisa toda, pronta pra olhar nos seus olhos e admitir. Sem ele eu não vivo, não respiro e sei lá mais o que. Pronto. Admiti. Agora abraça-me apaixonadamente e sela essa declaração com um beijo.





2 de setembro de 2013

Poema Musicado



Chama-me a conhecer-te.
Escuto-o respirar e imagino poemas.
Observa-me a olhar-te e descobre notas.

Toque em mim sua canção predileta
ó tocador de oboé!
Mostra-me sua covinha
ao sorrir sua risada amorosa.

Tatue em mim 
com seus dedos longos
as notas secretas de bem dizer.

Sorria no final da canção,
se despeça,
mas continue me amando.




1 de setembro de 2013

Segredo




A poesia é incomunicável. 
Fique quieto no seu canto. 
Não ame. 

Ouço dizer que há tiroteio 
ao alcance do nosso corpo. 
Ê a revolução? o amor? 
Não diga nada. 

Tudo é possível, 
só eu impossível. 
O mar transborda de peixes. 
Há homens que andam no mar 
como se andassem na rua. 
Não conte. 

Suponha que um anjo de fogo 
varresse a face da terra 
e os homens sacrificados pedissem perdão. 
Não peça.

Carlos Drummond de Andrade