19 de junho de 2016

Nevoeiro de poesia


Imagem por Lucila Neves


"Levanta a cortina dos teus olhos,
contempla a maravilha
do amanhecer.
A vida é uma criança,
esperta, bonita,inteligente
passa correndo,
é preciso ver.
Acredita,
enquanto há tempo:
não existe dor sem alento
nem tristeza tão longe da alegria.
Quando a luz de cada dia
acende a vida,
iluminando o amanhecer,
não vacila,
toma posse
da imensa alegria de viver."
Ivone Boechat

4 de junho de 2016

Ousadia*


Fonte: Tumblr


    O dia amanheceu frio mas isso não me impediu de abrir uma fresta da janela da sala. Enquanto esperava a água ferver olhei pra cortina balançando com o vento e contemplei o silêncio da rua. Já era 7 da manhã e parece que o dia começara só pra mim.
    Um dia de silêncio seria pedir demais? Algumas horas de silêncio a mais e eu já quero um dia todo! Eu ouvi alguém no fundo da sala gritando "fominha!"? 
    Silêncio. 
   Olhei pra minhas pantufas novas do Sullivan e sorri torto. Esse definitivamente iria ser meu dia. Com silêncio ou não. A chaleira apitou e enquanto eu preparava meu chá de hortelã com capim cidreira fiquei pensando debochada sobre o efeito do silêncio dentro de mim. Eu preciso de silêncio às vezes. Andar na rua sem fone de ouvido, nem livro em mãos. Posso até carregá-los na bolsa para eventuais conversas alheias inconvenientes. Mas o silêncio, esse eu carrego no peito. E nos olhos, porque quando paro pra olhar pras pessoas ou me olhar no espelho é nele que encontro resposta. E eu nem sequer pergunto algo, acredite.
    Às vezes ele tende a ser cruel, dizendo exatamente aquilo que você merece saber mesmo que não seja aquilo que você quer saber. É como se ele segurasse seu rosto com firmeza e delicadeza e te olhasse nos olhos. Deve ser por isso que muitos evitam sua presença.
    Já fui considerada rebelde em casa por preferir o silêncio à barulheira típica da juventude. Mas o que posso fazer se me encontro nele? 
    Depois de um chá e um banho quente, nada melhor que vislumbrar a beleza do silêncio que carrego dentro de mim. Porque no final é esse silêncio que importa. Visto uma roupa colorida, passo um batom vermelho e o céu continua cinza. Visto-me também de ousadia. A rua já está movimentada, as pessoas andam afoitas falando em seus celulares. E meu coração continua trabalhando. 
    Meu silêncio matinal alinhou meu temperamento complicado e embora minha mente seja um caos, meu coração continua trabalhando. 
    E meus olhos alimentam o silêncio dentro de mim. 
    Respirando.



* Esse post faz parte do Projeto Escrita Criativa.