11 de junho de 2017

[Convidado] A Praça que eu Vejo

Imagem por Pe Robson Cardoso

   No meu dia de atendimento, quando não me vem as pessoas, na ociosidade do tempo nem tudo se perde. Por uma janela histórica coloco-me a observar quanta beleza há na praça principal da cidade, com suas belas e frondosas árvores que se harmonizam com gramados verdes dando vida à arquitetura um dia traçada.
   Desperta-me a irrequieta mente de um filósofo e coloco-me a pensar para além da beleza do jardim e assim se pinta a praça que vejo.
   Vi crianças correndo atrás de uma bola e outras a pedalar suas bicicletas; mas não só crianças brincam na praça, basta perguntar aos senhores que ali aliviam o pesado fardo do tempo em seus jogos de baralho. Ali vi pessoas passando apressadas e outras que param para aliviar o calor à sombra das árvores. Vi pessoas que nos bancos batem um dedo de prosa, como diziam nossos mestres da vida.
   Ali entres os canteiros muitas histórias começaram e outras tantas tiveram seu fim. Lugar de compartilhar os sonhos e de desabafar os pesadelos. Lugar da saudade e de tantas lembranças, boas ou ruins. Lugar onde já pisaram pés famosos, de pessoas já consagradas e daqueles que almejam trilhar os mesmos passos. Lugar das lutas, dos discursos e dos grandes eventos. Lugar sombrio que testemunha o findar de tantas jovens vidas que se perdem nos anestésicos existenciais. Lugar de fé, de onde vislumbra-se a beleza da Matriz, se ouviram e se ouvem sermões que trazem a força do crer.
   Ali vemos conhecidos e desconhecidos, pois a praça é um dos lugares mais democráticos que existem. Vi ali o sim na alegria dos que tem um lugar de passeio, mas o não naqueles que, por não terem outra opção, fazem dali seu lugar de morada. Vi esperançosos e desesperados. Daqui imagino o passado, vejo o presente e sonho com o futuro. Será que ainda teremos praças? Será que teremos pessoas para frequentá-las? Bom, espero que se interessem, pois creio que abraçar uma árvore seja mais benéfico para a cabeça do que abraçar um aparelho com tela de vidro.
   Inevitavelmente as lembranças me roubam e me levam para os arquivos de fatos e aventuras que já vivi numa praça. Mas deixarei para uma próxima publicação, pois as pessoas não gostam de textos longos. Se você gostou, certamente ficará esperando. Antes disso, que tal compartilhar alguma história sua vivida numa praça? Eu gostaria muito de saber.

Pe Robson Cardoso




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Robson Cardoso é bacharel em Filosofia e Teologia. Mineiro de Santana do Jacaré, tem 37 anos e é padre há 8.
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